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Federaminas pede ao Governo a reabertura do comércio e recursos para o setor

Se Estado não flexibilizar medidas até 15 de abril, mais de 50% das pequenas empresas mineiras devem fechar as portas e número de desempregados pode a chegar a mais de 3,6 milhões, aponta pesquisa da instituição.

O prognóstico negativo de agravamento da crise econômica que se abateu sobre o setor do comércio, indústria, prestação de serviços e agronegócio em Minas Gerais, desde que as medidas restritivas foram adotadas pelo Executivo com o objetivo de conter a disseminação do novo coronavírus, foi comprovado por recente pesquisa encomendada pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Minas Gerais (Federaminas).

A pesquisa tem o objetivo de municiar o Governo com informações atualizadas sobre a real situação financeira das empresas mineiras a fim de auxiliá-lo na tomada de decisões estratégicas para retomada do crescimento econômico de Minas. “A Federaminas está à disposição para buscar, em parceria com o Governo do Estado, soluções para o enfrentamento da crise atual, assim como estratégias para projetar os negócios após essa lamentável crise”, explica Valmir Rodrigues, presidente da instituição.

Realizada entre os dias 27 e 30 de março, a pesquisa da Federaminas foi respondida por 1.066 empresários e apontou que o Governo precisa, além de flexibilizar com urgência a reabertura do comércio, investir no setor. Apenas com essas ações – flexibilização e injeção de recursos – será possível evitar uma quebradeira, principalmente das micro e pequenas empresas, e o desemprego em massa.

Segundo o presidente da Federaminas, a pesquisa realizada pela instituição revelou que, em Minas Gerais, 92% das empresas ouvidas faturam até R$ 400 mil por ano, o que endossa a importância dos micro e pequenos empreendimentos para a manutenção da economia no Estado.

Fechamento compulsório do comércio agrava crise

Também de acordo com a pesquisa, 21,6% das empresas de micro e pequeno porte do Estado não conseguem ficar fechadas por mais cinco dias, gerando um potencial de desemprego da ordem de 1.101.500 pessoas, ou seja, dobrando o número de desempregados que Minas Gerais tinha no final do ano de 2019.

O prognóstico piora se o tempo de quarentena se estender até 15 de abril. Nesse caso, mais 34,2% das empresas devem encerrar suas atividades, com um potencial de mais 2.520.198 pessoas desempregadas, número esse que, se somado ao desemprego daquelas empresas que fecharam nos primeiros cinco dias da quarentena, chega a 55,8% das empresas fechadas e 3.621.698 de mineiros desempregados.

 “Estamos extremamente preocupados, porque se nada for feito e a quarentena persistir até 30 de abril, chegaremos à soma de mais de 6 milhões de desempregados, convergindo para uma quebra de 85,1% das empresas do Estado”, afirma Rodrigues. Segundo ele, as empresas não possuem capital e nem condições de sobreviver caso o cenário se arraste sem nenhuma medida de apoio efetivo para a retomada da economia.

“O fato é que, precisaremos reerguer, o quanto antes, a economia de nosso Estado, e é essa agilidade que aumentará as nossas chances de sucesso nessa empreitada. O mesmo nós sabemos que se dará com o coronavírus. Quanto mais cedo identificada a doença, maiores são as chances de encontrarmos a cura. E, neste momento, as nossas empresas seguem a passos largos rumo à UTI e muitas já estão, inclusive, com seus óbitos sendo declarados. É preciso agir rápido, em equipe e de forma estratégica” (Valmir Rodrigues, presidente da Federaminas).

 

Setor estima retomada do consumo somente a partir de outubro

Rodrigues afirma que o desejo de todos é ver o pronto restabelecimento das atividades comerciais, mas sabe-se que, após a reabertura dos empreendimentos, o fluxo de pessoas na rua não voltará ao normal da noite para o dia, pois existe um processo de retomada de confiança para que os consumidores voltem a comprar novamente. “De acordo com que se viu na crise de 2008, estimamos que o consumidor volte a comprar apenas em outubro/novembro de 2020. Nesse sentido, entendemos que será necessário injetar recursos nas empresas com, no mínimo, juros muito baixos com período de pagamento alongados, caso contrário, elas vão falir e ainda ficarão sem saldo para quitar as dívidas trabalhistas, o que ampliará ainda mais o número de pessoas em situação de seguro desemprego e em busca de alguma forma de assistência social”, alerta.

O presidente reafirmou o compromisso do sistema Federaminas de ser um multiplicador da informação e um incentivador contínuo para que todas as orientações acerca da prevenção do coronavírus sejam amplamente divulgadas. A instituição também seguirá estimulando o compartilhamento, entre as associações, de boas práticas de prevenção a fim de evitar ao máximo o contágio de clientes e colaboradores. “Reafirmamos o nosso compromisso em acatar as orientações das autoridades de saúde quanto à aplicação de medidas preventivas que possibilitem a reabertura do comércio” afirma.

Fonte: site Federaminas

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