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Reunião do Cosag discute projeção de safra recorde e avanços em soluções sustentáveis rumo à COP30

A reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, presidido por Jacyr Costa, recebeu o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago na segunda-feira (3/11). Às vésperas do início do evento global da ONU sobre clima, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, entregou a Corrêa do Lago o plano “Agricultura Tropical Sustentável: Cultivando Soluções para Alimentos, Energia e Clima”, elaborado por mais de 40 entidades.  A Aciub foi representada na reunião pelo vice-presidente Sérgio Tannús.

O documento destaca que a agricultura sustentável é peça central na agenda de mitigação das mudanças climáticas e que o modelo produtivo construído no Brasil pode ser adaptado em diferentes países. 

Rodrigues ressaltou que a COP30 representa uma oportunidade histórica para reposicionar a agricultura tropical como eixo das soluções climáticas globais, conciliando segurança alimentar, energética, desenvolvimento rural sustentável e tecnologias de baixa emissão de carbono, sob uma abordagem baseada em inclusão produtiva, inovação, mitigação, adaptação e reconhecimento da diversidade dos sistemas produtivos tropicais. 

“A ideia é que o documento sirva de referência para negociadores brasileiros e estrangeiros em defesa do papel da produção agropecuária frente às mudanças climáticas”, afirmou.  

O vice-presidente da Fiesp e campeão climático da COP30, Dan Ioschpe, reforçou que o setor agrícola é central na agenda de ação climática, com destaque para biocombustíveis e recuperação de áreas degradadas. “Nossa tarefa não termina no dia 21 de novembro (último dia da COP30), ao contrário, ela está só começando, no sentido de acelerar o desenvolvimento socioeconômico do nosso país como solução para as questões climáticas ao redor do mundo”. 

Para o embaixador Corrêa do Lago, o plano é uma demonstração da capacidade brasileira de oferecer soluções concretas ao mundo. “A primeira obrigação da diplomacia é assegurar a paz e melhorar a vida das pessoas, e o Brasil está mostrando que está construindo soluções”, pontuou.  

Safra 2025/2026 

Outro tópico abordado na reunião são as perspectivas para o agronegócio na safra 2025/2026. O indicativo é de um aumento de 1% na produção total de grãos, com potencial para novo recorde. O avanço é impulsionado principalmente por soja e milho, beneficiados pela expansão de área e pela demanda crescente, inclusive para etanol. A produção de proteínas animais também deve ser histórica. O setor sucroalcooleiro brasileiro continua robusto, com a produção de etanol de milho ganhando força e se tornando estratégica para o equilíbrio do mercado nacional.  

Soja e milho 

Segundo o engenheiro agrônomo André Pessôa, a safra de soja e milho enfrenta custos elevados, juros altos e escassez de crédito. A produção de soja deve crescer 3,7% na área plantada na safra 2025/2026, o que deve resultar em uma produção total de aproximadamente 177,67 milhões de toneladas, um incremento de 3,6% em relação ao ciclo anterior. Este aumento é impulsionado pelo crescimento da demanda global e pela recuperação da produtividade em algumas regiões, como o Rio Grande do Sul, que havia sido afetado por problemas climáticos na safra passada.  

O Brasil deve manter superávit na produção de soja, mas menor que em anos anteriores. Com safra robusta e câmbio desfavorável, a saca pode cair abaixo de R$ 100 em 2026.  

O milho (especialmente o de segunda safra) tende a ter uma produtividade menor, com estimativas de média de 95 sacas por hectare em determinadas regiões ou condições, e uma rentabilidade que pode ser significativamente inferior em comparação com a soja ou safras anteriores, chegando a estimativas de 37% a menos em alguns cenários.  

Proteína animal 

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou que o Brasil é o segundo maior produtor mundial de frango. Em 2024, o país produziu cerca de 15 milhões de toneladas e manteve sua posição de maior exportador mundial, exportando 5,3 milhões de toneladas em 2024 e gerando uma receita de quase US$10 milhões. 

O país também é o quinto maior produtor de ovos, com recorde de 57,6 bilhões de unidades em 2024, e o quarto maior produtor de carne suína, com 5,3 milhões de toneladas. 

A ABPA projeta que a produção de carne suína no Brasil em 2026 alcançará até 5,55 milhões de toneladas, representando um crescimento de 2,4% em relação a 2025. Esse aumento é impulsionado principalmente pelas exportações, que a entidade prevê que atingirão 1,55 milhão de toneladas, e pela estabilidade do mercado interno, que deve consumir por volta de 4 milhões de toneladas. A produção de carne de frango deve subir 2% para 15,7 milhões de toneladas 

Com a população mundial projetada em 9,7 bilhões até 2050, o aumento da renda e do consumo deve ampliar a demanda global por alimentos, especialmente proteína animal. 

Açúcar e etanol 

Luciano Rodrigues, diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), informou que a moagem de cana no Centro-Sul deve recuar para 596,9 milhões de toneladas, afetada por chuvas e incêndios. Mesmo assim, a produção de açúcar superou 40 milhões de toneladas em 2024, consolidando o Brasil como maior fornecedor mundial. 

A oferta de etanol também bateu recorde, com 36,8 bilhões de litros em 2024, e deve crescer 5% na próxima safra, embora com pressão de preços. O etanol de milho deve atingir 9,9 bilhões de litros em 2025/2026, aumento de 20% sobre o ciclo anterior, impulsionado pela expansão industrial e pela competitividade do grão. 

Entre as políticas que devem favorecer o setor estão a regulamentação dos programas Mover, Nacional de Biometano, Combustível Sustentável de Aviação, Reforma Tributária e SAF+Combustível Marítimo. 

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